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Educação e Cultura

Escrito por José Valmei Bueno | Publicado: Quarta, 25 de Setembro de 2019, 09h15 | Última atualização em Segunda, 14 de Outubro de 2019, 07h33 | Acessos: 319
Anfiteatro do CPA ficou lotado para ouvir as reflexões da Mesa Redonda
Anfiteatro do CPA ficou lotado para ouvir as reflexões da Mesa Redonda

Segunda noite da Semana Cultural tem mesa Redonda, simpósio e relatos de experiências

Reflexões sobre educação profissional e tecnológica, além de simpósio com a apresentação de trabalhos de pesquisa e relatos de experiências sobre o projeto de leitura “Tertúlias Dialógicas”, marcaram o segundo dia da Semana Cultural e das Diferenças realizado na noite desta terça-feira, 24.

O anfiteatro do Centro de Procedimentos Ambientais foi o palco para a Mesa Redonda “IFSULDEMINAS e Educação Profissional: Trajetória e Impactos”. Coordenada pela professora Lidiane Teixeira Xavier, os convidados para o debate apresentaram os modelos educacionais adotados no decorrer dos 100 anos do Campus Inconfidentes.

"O corpo para trabalho e a mente para obedecer.”

Mesa Redonda MelissaUma das convidadas para a abordagem do assunto foi a professora Melissa Salaro Bresci. Ela apresentou os diferentes modelos de educação adotados pelo Campus Inconfidentes ao longo dos 100 anos de história, desde o Patronato Agrícola até a implantação do IFSULDEMINAS. “Os Patronatos Agrícolas foram criados para educar os pobres, menores desvalidos, para o trabalho”, disse a professora. De acordo com ela, o histórico da instituição mostra um forte investimento para a formação em vista do trabalho e do mercado, em prejuízo de uma educação voltada para a cidadania e para a visão crítica da sociedade.“Isso é emblemático”, provocou a professora. “O modelo educativo de várias épocas tinha como objetivo preparar o corpo para trabalho e a mente para obedecer”, comentou a docente. Segundo Bresci, esses elementos se repetem no modelo atual de educação. “Um desses elementos é a preparação para o trabalho e não para a formação cidadã e crítica”, finalizou.

"Inconfidentes é um município comum."

Mesa Redonda Claudino OrtigaraOs participantes da Mesa Redonda expuseram ainda o resultado de uma pesquisa que buscou mensurar as influências do campus no desenvolvimento educacional do município de Inconfidentes, nesses 100 anos de história. Para realizar o trabalho, Claudino Ortigara analisou dados como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de municípios do entorno de Inconfidentes, com populações abaixo de 10 mil habitantes. O pesquisador comparou os números e apontou Inconfidentes, sede do IFSULDEMINAS, como um município comum. Ele expôs o resultado na pesquisa durante a Mesa Redonda. “Os dados apresentados mostram que Inconfidentes é um município comum nos aspectos educacionais e no seu desenvolvimento como um todo”, explicou Ortigara, professor emérito do Instituto Federal do Sul de Minas. “Infelizmente”, vaticinou, acerca da provável neutralidade dos impactos do campus no desenvolvimento educacional local.

“O ‘Future-se’ é a desresponsabilização do Estado."

Mesa Redonda VagnoTambém participou das exposições o Professor Vagno Emydio Machado, do Campus Poços de Caldas. O docente defendeu que servidores e alunos do IFSULDEMINAS entendam o que é a instituição, pois os Institutos Federais obtiveram fortes investimentos nos últimos anos, desde a criação, em 2008. “Houve uma revolução no sistema educacional nos governos Lula e Dilma, com a influência de educadores marxistas", constatou, chamando a atenção para a necessidade de assumir a vertente intelectual.

Segundo Vagno, um dos elementos mais importantes da missão dos Institutos Federais é a institucionalização das atividades de Extensão. “Uma coisa interessante que está acontecendo é a curricularização da Extensão. A Extensão é um ponto forte dos Institutos Federais que passa a fazer diferença na realidade local e regional”, disse o professor. De acordo com ele, o Instituto é parte da realidade e deve contribuir com as comunidades onde estão instalados. “Isto é progressista”, emendou.

O docente criticou ainda a reforma do Ensino Médio proposta pelo Governo Federal. “A reforma do Ensino Médio é prejudicial ao ensino profissionalizante e à educação integral. Ela prejudica as ciências humanas, as ciências naturais e também as exatas. A ideia é acabar com a inteligência”, afirmou Machado. O professor também alertou sobre a ausência de reflexão acerca do Programa “Future-se” apresentado pelo Ministério da Educação às escolas federais. “O ‘Future-se’ trata, sobretudo, do processo de privatização das Universidades e Institutos Federais. Ou seja, é a desresponsabilização do Estado para a garantia do custeio das entidades educacionais do seu caráter público”, denunciou Vagno. “O professor vai ter que ir atrás de recursos. O aluno vai ter que ir atrás de recursos. Qual empresa vai investir? Em que curso? Em que área? Em que tipo de pesquisa as empresas vão investir? Curso de História e Pedagogia num cantão do Sul de Minas?”, questionou. Ele disse também que o “Programa ‘Future-se’ é a destruição da educação. Isso é próprio de regimes totalitários que primeiro pretende eliminar a parcela intelectualizada da população”, enfatizou.

Simpósio de Pós-Graduação

Simpósio MatemáticaA programação da noite de terça-feira contou com a realização do Simpósio da Pós-Graduação em Educação Matemática. Os alunos da Pós-Graduação e da Licenciatura em Matemática apresentaram oito Trabalhos de Conclusão de Curso para os alunos da Graduação em Matemática. As pesquisas se referem sobre harmonia entre a Matemática e a Música, a relação dos números com o crochê e sobre o Laboratório Itinerante de Matemática. Para o organizador do Simpósio, Carlos Cezar da Silva, o objetivo do evento é introduzir os alunos da Licenciatura nos desafios de ensinar a disciplina. “Esse Simpósio é organizado para que os futuros professores possam compreender as dificuldades das crianças em entender a Matemática de uma maneira mais prazerosa”, explicou Carlos Cezar.

Tertúlias Dialógicas

TertúliasAs atividades do dia encerraram com os Relatos de Experiência: “Tertúlias Dialógicas: entendendo o potencial educativo dessa atividade”, no anfiteatro do Centro de Procedimentos. Foram convidados para compartilhar as experiências de participação nas Tertúlias, a aluna do Curso de Licenciatura em Biologia, Lais Guadalupe Cassaloti; o recuperando do Presídio de Ouro Fino, Pedro Augusto Santos Góes; a servidora Joana Maria Silva do Vale e a professora Paula Inácio Coelho.

Os trabalhos de exposição dos relatos foram coordenados pela professora Cristiane Cordeiro. “O compromisso essencial da Tertúlia é reconhecer que todos têm conhecimento, têm algo para ensinar”, explicou Cristiane. Os membros da mesa contaram para a plateia como as Tertúlias impactam a vida de cada um. “A literatura nos humaniza, aumenta a criticidade. As tertúlias nos emocionam. Quando saio das tertúlias saio transformada e com esperança para encarar a realidade”, contou a estudante Lais Guadalupe.

O projeto existente desde 2015 destina-se à comunidade interna e externa do IFSULDEMINAS – Campus Inconfidentes e tem como objetivo criar um espaço nas quais obras da literatura clássica brasileira e universal possam ser lidas e discutidas coletivamente, tendo em vista não apenas a apreciação da literatura como manifestação artística, mas também o fortalecimento das relações solidárias e dialógicas e a aprendizagem de conhecimentos em diferentes áreas. O projeto inspira-se nos princípios da aprendizagem dialógica e nas experiências de tertúlias dialógicas da Escola de Adultos La Verneda San Martí (Barcelona/ Espanha).

Confira as imagens (Mesa Redonda)

Confira as imagens (Relatos de Experiências - Tertúlias)

Confira as imagens (Simpósio de Pós-Graduação Matemática)


Comentários   

0 #2 Ascom 27-09-2019 11:45
Obrigado, Cibelle, pelo questionamento!

Devido ao contingenciamento dos recursos orçamentários, a Semana Cultural, das Licenciaturas, e das Diferenças juntaram-se para diminuir gastos e viabilizar o evento. A organização desta semana, que ocorre com a participação de todos, e não exclusivo das Licenciaturas, está sendo trabalhada para a inclusão de todos os alunos, inclusive com participação dos alunos do LECCA.
Caso algum Curso de Licenciatura queira organizar uma semana específica, tem toda a liberdade de organizar-se. Além disso, a comissão organizadora não impediu nenhum aluno de participar. Inclusive há alunos participando de sua organização (monitores voluntários do técnico e superior). Somente não foi feito uma convocação e um edital de eleição da comissão organizadora.

Esperamos que estejam gostando do evento que foi tão bem pensado para a inclusão de todos e não somente para alunos das Licenciaturas.

Ass: Comissão Organizadora dos eventos
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0 #1 cibelle 25-09-2019 16:28
Por que tiraram os alunos da organização da semana das licenciaturas esse ano?
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